Morre o autor de Sá Marina

Tiberio  Gaspar Na tarde de hoje, 15/02/2017, o cantor e compositor Tibério Gaspar faleceu na cidade do Rio de Janeiro.

Tibério, junto com Antônio Adolfo, formaram a parceria de grande sucesso no final da década de 60.

Entre tantas canções, temos: “Juliana”, “Teletema”, e “BR3” (que foi vencedora do V FIC – Festival Internacional da Canção, na interpretação de Tony Tornado).

Mas hoje vamos relembrar um grande sucesso composto em parceria com Antônio Adolfo, acredito que seja um dos mais conhecidos, que ficou eternizado na interpretação de Wilson Simonal: “Sá Marina”.

A canção ganhou uma versão em inglês, gravada por Stevie Wonder, com o nome de “Pretty World”.

Vamos relembrar “Sá Marina”, na gravação de Simonal.

A MPB perde mais um de seus grandes compositores.

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Carol Saboya

Ao Vivo LiveCarolina Job Sabóia (10/3/1975, Rio de Janeiro, RJ), conhecida por Carol Saboya, é uma cantora brasileira. Filha do instrumentista, arranjador e compositor Antônio Adolfo. Sobrinha do compositor Rui Maurity.

Em parceria com seu pai, o pianista Antônio Adolfo, lançou, em 2006, o CD “Ao vivo live“, registro da apresentação realizada no ano anterior, em Miami.

Ouçam uma das faixas deste CD, “Sá Marina” :

Sá Marina” é uma composição de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, tornou-se sucesso na gravação de Wilson Simonal, em 1968. A música nasce baseada na infância do carioca Tibério, em Anta (distrito de Sapucaia), também no interior fluminense, e inspirada em Brasilina (Sá Marina), então uma jovem e bela professora da pacata localidade.

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Aniversários da MPB : Regininha

Capa - Regininha e a Turma da PilantragemRegina Amália Serra de Souza, cantora e compositora conhecida por Regininha (01/10/1945, Rio de Janeiro, RJ).

Entre 1968 e 1969, fez parte do A Turma da Pilantragem, tornando-se conhecida por ter inserido na gravação de “Primavera“, de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, a frase “Me ajuda que a voz não dá…” na parte mais aguda da canção.

Ouçam um medley do grupo junto com Regininha, gravado em 1969, interpretando “Dó-Ré-Mi” / “Primavera” / “Gosto Que Me Enrosco” :

Em 1970, iniciou sua carreira solo, gravando, com muito sucesso, a música “Teletema“, de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar.

Parabéns Regininha !!!

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A Bola da Copa 2014 : “A Brazuca”

Pode parecer um nome novo para os jovens brasileiros, mas, para quem não sabe, “A Brazuca” já foi sucesso na MPB e deixou saudades.

Antonio Adolfo e A BrazucaA Brazuca foi um grupo musical brasileiro do final da década de 1960 que participou no ano de 1969 do IV Festival Internacional da Canção (FIC), quando classificou a canção “Juliana” em 2º lugar no evento.

Conjunto formado originalmente por Antônio Adolfo (piano), Luiz Claudio Ramos (guitarra), Luizão Maia (baixo), Victor Manga (bateria), Julie (voz) e Bimba (voz). Em uma segunda formação, Julie foi substituída pelo cantor Luís Keller.

Atuou no cenário artístico de 1969 a 1971, gravando 2 álbuns: “Antônio Adolfo e A Brazuca” (1969); e “Antônio Adolfo e A Brazuca 2” (1970).

Ouça e relembre “Juliana”, de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar:

Agora ouça “Quebra Cabeça”, de Paulinho Soares e Marcello Silva, que participou do V Festival Internacional da Canção (FIC), em 1970:

Como disse Tibério Gaspar em uma entrevista, no ano de 2002 :

“… eu tenho também um carinho muito grande pelos festivais. Eu gosto de participar até hoje. Eu acho que eles são os verdadeiros celeiros da MPB, que é muito diferente do que é imposto pela mídia, que é totalmente comprada e vendida às gravadoras. O jabá foi institucionalizado. A gravadora tem um produto de baixa qualidade que ela pega e coloca numa rádio, compra o horário e impõe isso ao povo. “

A gente espera que “A BRAZUCA”, como “Bola da Copa 2014”, tenha o mesmo sucesso que teve esse excelente conjunto da nossa MPB.

Bem que os Festivais poderiam voltar a acontecer.

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E, já que falamos em BR-3…

Tiberio GasparTibério Gaspar Rodrigues Pereira, conhecido como Tibério Gaspar (11/9/1943 – Rio de Janeiro, RJ),  compositor, produtor musical e violonista autodidata. Ingressou na Faculdade de Engenharia, mas abandonou o curso para dedicar-se à música.

Iniciou sua carreira profissional em 1967.

Trabalhou em parceria com Antônio Adolfo, com quem compôs “Sá Marina” (inspirado em uma professora da cidade de Anta), no ano de 1968. Foi o seu maior sucesso. Gravada em original por Simonal, com grande repercussão, e em 2002, por Ivete Sangalo. No exterior, ela recebeu o nome “Pretty World“, em versão de Marylin e Allan Bergman, gravada por Sérgio Mendes, Stevie Wonder e, depois, por Earl Klug, que foi prêmio de melhor disco de jazz, além de outros.

Em 1970 venceu o V Festival Internacional da Canção (FIC) com “BR-3” (c/ Antônio Adolfo), defendida por Tony Tornado e Trio Ternura.

Vejam o vídeo do momento da premiação de BR-3 no V FIC:

Como toda música de sucesso, BR-3 teve sua história contada de maneiras diferentes da verdadeira.

Para esclarecer, pesquisamos na internet e encontramos a resposta dada pelo compositor.

Leiam parte da matéria publicada no site Velhos Amigos, em 23/12/2002, de Maria de Lourdes Micaldas (LOU), entrevistando Tibério Gaspar :

LOU – Existe um triste episódio sobre a BR3 e o tempo da ditatura?
TIBÉRIO – Foi uma música polêmica que causou muito problema pra mim. Fui chamado no SNI porque houve um boato que a música “BR3” era a veia do braço, era o hino do toxicômano. Isso foi uma notícia forjada pelo Ibrahim Sued, em complacência com a parceria de um General, já falecido, e eu tive que enfrentar um pouco essa situação estranha e esse estigma me acompanhou um pouco. Fui chamado no SNI pra esclarecer não só esse fato, mas como também o medo que eles tinham na época que o Tony Tornado fosse um líder negro que pudesse causar uma turbulência social. E daí, desfeitos os mal-entendidos, a gente continuou, mas eu fiquei um pouco guardado na geladeira. Na Revolução, essa Pseudo-Revolução, as gravadoras temerosas me congelaram.

LOU – Você chegou a ser preso?
TIBÉRIO – Não, eu cheguei a ser chamado no Ministério da Guerra e entraram numa conversa pra via dos fatos comigo.

LOU – Chegou a ser torturado?
TIBÉRIO – Não, torturado não, nem preso. Fui ameaçado.

LOU – Teve que sair do País?
TIBÉRIO – Não tive que sair do País, porque eu calei a minha boca. Mas tive que enfrentar um certo ostracismo imposto pelas gravadoras que não queriam deixar que gravasse minhas músicas e aí tive um hiato na minha carreira. Então, nesse disco, escrevi um rap que se chama “A História da BR3”.

BR-3
(Tibério Gaspar)

A BR-3 era somente uma estrada
Que ligava o Rio de Janeiro a Belô
Mas alguém falou que era a melô da picada
E um cara mau-caráter publicou o caô.
Dizendo que essa estrada era uma veia do braço
E que era o papo que rolava entre drogado e vapor,
Numa tentativa de tirar do fracasso
Um livro sobre drogas de um falso escritor.

A gente corre na BR-3.
A gente morre na BR-3. (BIS)

A BR-3 era o que a gente vivia,
Em cada um crime em cada reta o terror.
Um dia virou noite e toda noite era fria,
E a gente ficou surdo, mudo e cego de dor.
Havia dedo duro pau-de-arara e censura
E muita gente boa se mandou do Brasil.
A lei da ditadura era porrada e tortura.
Pra quem não concordasse: baioneta e fuzil.

A gente corre na BR-3.
A gente morre na BR-3. (BIS)

Agora que vocês estão por dentro dos fatos
É chegada a hora de dar nomes aos bois.
Enquanto a nossa imprensa como Pôncio Pilatos
Lavava suas mãos e se calava depois,
O tal do colunista e o mafioso comparsa,
Um burro que deu certo e um gorila escritor,
Uniram seus talentos e montaram essa farsa
Pra tomar carona no sucesso do autor.

A gente corre na BR-3.
A gente morre na BR-3. (BIS)

LOU – Quem era o presidente nessa época?
TIBÉRIO – Era o Emílio Garrastazul Médici, em 1970. Aí houve a divulgação dessa notícia do Ibrahim Sued e David Nasser, dizendo que a música era uma veia do braço e tudo mais. E isso me deu um prejuízo muito grande. Na íntegra, por trás disso, estava o lançamento de um livro chamado “Tóxico”, do General chamado Jaime Graça, que já faleceu também. E esse general colocava a “BR3” como sendo uma música de tóxico. No trecho que dizia “Há um foguete rasgando o céu, cruzando o espaço. E um Jesus Cristo feito em aço, crucificado outra vez…” Ele dizia que eu queria dizer que era uma seringa que vem do céu cruzando o braço, uma agulha feita em aço pra espetar outra vez. Ele transcreveu isso no livro dele. Eu não pude me defender porque todos os direitos civis nessa época estavam cerceados. Só através da Justiça Militar. E ficava complicado porque o cara era general do exército. Além disso, fui chamado no SNI, que era na época chefiado pelo João Figueiredo, já falecido, e fui interrogado por quatro coronéis. Um dos quatro virou general e era o Ronaldo Costa Couto, que foi o porta-voz do Figueiredo no governo e isso tudo já com a preocupação que o Tony Tornado fosse um líder negro, tipo Stokler Carmichael, versão tupiniquim do Black Panther americano. Tudo isso era uma coisa muito complexa. Então eu procurei trazer tudo isso pra dentro da música, em cada curva um crime, entendeu?

LOU – E você foi absolvido?
TIBÉRIO – Pela minha consciência e por Deus.

LOU – E você foi a julgamento?
TIBÉRIO – Não fui não. Fui chamado lá e expliquei.

LOU – Você estava no SNI com essa gente toda, com esses coronéis todos. Você explicou e eles aceitaram o argumento?
TIBÉRIO – Eu mostrei que não era nada disso. Que o Tony Tornado, na época, que se ele fosse um líder negro, ele continuaria o romance com a pretinha dele e não ia separar dela pra colar com a Arlete Salles. Aí a história dele virou café com leite. No meu caso foi uma invenção, uma coisa fabricada por esses caras. Eu levei isso ao conhecimento deles. Então eles arrefeceram.”

Agora, vejam o vídeo do “Show 40 anos de Estrada”, do cantor e compositor Tibério Gaspar com participação de Tony Tornado, no ano de 2006, interpretando BR-3 (original) e o Rap contando a História:

A MPB e suas histórias…

Saudades dos bons tempos de Festivais !

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